criados e tragos
CRIADOS E TRAGOS
apascentar a criadagem de dentro
revigorando com o trago do cigarro
e eles ruminam sonhos que não mais lhe pertencem
sonhos em desuso desatino
dá-me outro trago
que as cinzas me esperam
dá-me outra praga
que me venha como cura
a criadagem desavisada regressa
e prepara a festa pelo meu retorno
todos os dias retorno
e eles não me acham
dêem-me mais um cigarro
em troco de nada
nada tenho a não ser
o erro crasso claro cretino
de ser mais um nel mezzo del camin
vagando viajando vendendo
como esmola minha pele
meu riso meus nervos meu sono
meu sano sono sem pressa
meus santos
dá-me uma cigarrilha
para esconder na fumaça
o destino perdido e desacostumado
dá-me pão e água
para que não morra
para que rumine mais alto
e bravamente sem regalia
sem cantoria sem apelo
havia uma pedra
duas outras mais
avalanche de pedra e de gente
multidão
socorro, quero mais um cigarro
e fugir como cigano
e me acordem quando as cinzas chegarem
a criadagem dorme como gado à espera do açoite
como gado pastando
à espera.

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