bem e mal
O ALÉM DO BEM E DO MAL
Assim como todos os outros conceitos e expressões nietzscheanos, o ‘além do bem do mal’, primeiramente exposto no livro homônimo, concerne à vida como substância e finalidade para a superação. E onde está o além do bem e do mal? Acima, aquém? No além do conceito, no além da palavra, no além da moral pautada em ‘comando-obediência’, no além da negação do homem e da vida. E é terminante e demasiadamente humano. O ‘além’ de Nietzsche não é, já se disse, transcendental, sobrenatural, fantasmagórico, inteligível, niilista, perfeito, acabado, verdadeiro. Esse além é o infinito do homem em possibilidades. É o ultrapassar dos valores tacanhos, vilipendiadores da vida, do próprio homem. Não é tão-somente a crítica à moral paralisante, mas um cruzar de muitos céus, de muitos ideais; é o destruir de muitos ídolos, de muitas convicções ‘certas’.
Como descreve o filósofo, nesse livro, (p. 12): “Reconhecer a inverdade como condição de vida: isto significa, sem dúvida, enfrentar de maneira perigosa os habituais sentimentos de valor; e uma filosofia que se atreve a fazê-lo se coloca, apenas por isso, além do bem e do mal.”
É nesse eixo sem começo e fim que se funde a idéia de transmudar valores; é por essa senda periclitante e sinuosa que percorre o espírito livre, o imoralista, o super-homem; é nessa idéia que se perde e que se encontra, sem se prender ou desprezar-se, a vontade de potência. E nela se firma e se multiplica o homem; dela advém o homem como o seu próprio experimento e anseio de transmudação, de sobressair-se. E o que é o homem? A fonte e o desejo de vida; a soma e o esgotar-se; o bálsamo e a doença; o olho e o observado; a fera e a presa; o, eu, o si e o outro.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home